Jornada Anual da Constructo

O PENSAMENTO DE JEAN LAPLANCHE | Jornada Anual Constructo - 24 e 25 de agosto

 

Nosso convite a vocês é para trabalhar algumas das ideias propostas por Jean Laplanche, psicanalista francês, leitor e estudioso de Freud, conhecido por sua precisão metodológica, decisiva em todo seu trabalho com o texto freudiano, que manteve um constante “retorno a Freud”, como ele mesmo definia seu agir. Trata-se para mim, disse ele, de recolocar Freud em trabalho, de fazer “trabalhar”... sua obra, trabalhando com ela. A partir dessa trajetória nos deixou sua própria teoria, uma herança muito valiosa, que se desenvolve fundamentalmente a partir da teoria da sedução generalizada, da teoria das mensagens e da tradução. No final de sua vida dedicou-se especialmente a dar continuidade metapsicológica em relação a temas fundamentais da psicanálise, tais como, inconsciente encravado (não recalcado) e clivagem, gênero, pulsão sexual de morte, entre outros. 

 

E para fazer trabalhar Jean Laplanche contamos com a presença, em nossa Jornada, de dois psicanalistas que têm trabalhado muito para difundir as ideias do Mestre, não só no sentido de esclarecer sua teoria e seus últimos escritos, mas também dividindo conosco desenvolvimentos próprios que levam adiante o legado de Laplanche.

 

Da França, estamos recebendo Christophe Dejours, presidente científico da Fundação Jean Laplanche, psicanalista membro da Associação Psicanalítica da França, psiquiatra e professor, estudioso de alguns temas, entre eles a psicossomática e a psicologia do trabalho. Autor do primeiro texto sobre a 3ª tópica, depois reformulado e incorporado por Laplanche a seu próprio modelo teórico, afirma que a 3ª tópica está presente em todos os seres humanos, sendo a clivagem o resultado psíquico mais importante na construção da ‘normalidade’. Constitui um compromisso que diminui os riscos do sofrimento psíquico e da descompensação, psicopatológica ou somática.

 

Referindo-se aos jogos do corpo que foram banidos pela violência do adulto, diz que quando retornarem mais tarde na infância, adolescência ou idade adulta, especialmente no momento dos jogos eróticos solicitados pelo encontro sexual ou amoroso, se manifestariam como uma ameaça ao eu, cuja forma típica seria uma crise de despersonalização, com confusão mental. Afirma que a recusa de percepção daquilo que chega através do outro é a forma de repelir a angústia, e se dá sem pensamento, aquém do pensamento, do fantasma e das associações.

 

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De São Paulo é nosso convidado Luiz Carlos Tarelho, psicólogo, psicanalista e Doutor em Psicanálise pela Universidade Paris VII, autor do livro Paranoia e teoria da sedução generalizada

 

Tarelho vai proferir um curso sobre a paranoia durante nossa Jornada. Em seu artigo sobre Schreber, publicado na Revista de Psicanálise Constructo nº2, o autor levanta a hipótese que as psicoses poderiam ser pensadas a partir de uma relação sedutiva marcada pela existência de mensagens que constituem um entrave ao processo de simbolização, ao invés de impulsioná-lo, como ocorre com as mensagens enigmáticas.

 

No que diz respeito à tópica da clivagem, Tarelho pensa que para se aprofundar o entendimento da relação entre a clivagem e o recalcamento, seria preciso pensá-la através da relação entre o recalcamento e o supereu, sendo necessário, em sua opinião, estabelecer um diálogo entre a teoria laplancheana do recalque e a noção de interdição.

 

Kenia Ballvé Behr
Presidente da Constructo